domingo, dezembro 13, 2009

Anonimato

Tem horas que não consigo aguentá-lo.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Sobrevivi para dizer-lhe que

Não sinto pena do garoto que mora na rua, nem do velho solitário no fim da vida, nem do soropositivo que não vai sair do hospital, nunca mais. É compaixão barata, tão sutil que tenho que me abster de comentar pra fingir (sim, novamente fingir, é incrível como isso se repete a vida toda) uma pena comedida cheia de boas intenções. Quando a música toca e todos param pra dizer que coisa linda, de onde vem?, eu levanto os olhos e procuro o ponto de fuga desse plano sem perspectivas, produzo um escape e a música me derrete e sou tinta vermelha escarlate respingando pelas paredes, lacrimejando algo que não posso explicar, uma dor maravilhosa pra sair cantando em línguas nunca faladas, pra abrir o coração feito puta doente e pedir aconchego nas esquinas que já não cabem em mim, subir aos céus e sentar-me à direita do Criador do céu e da terra, que em seus filhos jogou confetes, parafina sentimental e o carma de nunca saber aonde chegar. Crime hediondo, todos que habitam esse lugar cometem crimes escondidos, pequenos auto-flagelos-psicológicos.

Busco paz de espírito mas não acredito em espírito nem que a paz seja absoluta ou branca ou demasiado profunda. Busco calmaria mas jamais conseguiria me sentir satisfeita se silenciasse esse gritedo que sinto por dentro quando passo o dia em silêncio elaborando mais alguma teoria ridícula, sim, mas ao mesmo tempo fantástica e singela: pura de mim mesma, alegre e sortida, confeitos docinhos para mastigar no ônibus indo pra casa. Quando chega em casa, repousa a cabeça no travesseiro e agradece a si mesmo que não, não foi hoje o dia em que pulou da janela ou se atirou na frente de um carro ou teve crise de pânico no meio da Ipiranga.

terça-feira, agosto 11, 2009

Se encontrar e se perder é natural.

Dilemas e trilemas da frágil e sensível raça humana.

Quando me cumprimenta de peito aberto e exala o cheiro das flores e das madeiras que nunca cheirei, ah, domina meu faro com a sutileza de uma leoa faminta, encolhe-me diante de si e sou uma fagulha implorando para não ser pisada. Tem um jeito típico de adentrar o quarto, fingindo não ver minha bagunça interior: sábio. Me olha nos olhos quando os fecho para mostrar que não é assim violento assim doloroso assim feio entregar um pedaço que não se sabia que existia. Provoca curiosidades latentes, será que entende que não é corpo é alma nuda cruda felpuda? Será que não minto entre pernas e abraços pra sentir que existe algo para que voltar? Injusto enganar um desejo só pra mantê-lo por mais tempo?

Saber que não me sabe sem saber é saber que se soubesse saberia que não sabe.

quinta-feira, julho 30, 2009

Ando meio punk inside.

(multidão agradecida em uníssono) Poupe-nos.

domingo, julho 05, 2009

Potencialidades

Sempre melhores com álcool.

segunda-feira, junho 22, 2009

O que você quer?

Pular do telhado. Gritar o soluço engasgado. Tropeçar, correr, levantar, de medo morrer, não sucumbir. Ler coisas estúpidas, agradecer a sanidade que resta pelas asneiras não cometidas, chorar. Tossir escafandros, delícias vermelhas, doce deleite duvidoso. Amaciar a carne. Humana, sim. Seguir a linha pontilhada, imaginar que tudo é uma continuação de recomeços. Admirar, porque sou boa nisso. Buscar com todas as forças não dar sorrisos debochados. Mastigar 60 vezes. Dormir 4 horas por noite. Chegar em casa e tirar os sapatos, adiantar o trabalho atrasado, a vida adiada, estender a alma molhada. Imaginar um sofá na sala, deitar nele. Não estar sozinha, solitude, dividir mais coisas que um pacote de bolacha e uma porção de dvd´s. Mergulhar. Porque traz um alívio, todo dia a desgraça vira história. É lindo, é lindo, deita na cama e cheira o peito de quem dorme contigo. Não tem nada melhor, nada melhor, do que dividir a solitude adociada com alguém salgado.

sexta-feira, abril 24, 2009

Para os refugiados de si.

O que será que te faz largar a bicicleta e sair correndo gritando provando pra si que não há motivo evidente pra viver sem retorno? O que será que te faz comprar tantas coisas das quais não precisa e te faz procurar com a garra mais forte do mundo uma garrafa de álcool que não te pergunte o que espera da vida? O que será que se esconde atrás dos muros e que te desperta a curiosidade, que te tira do sono mesmo que não tenha dormido à noite, o que será que seria da tua vida se não saísse do armário ou do bolso ou de dentro dos livros? O que será que te mete tanto medo que te faz sair de casa à noite procurando o perigo escondido , o que será que te mata com calma e dilui tuas cores, que te protegedo escuro e te molha por dentro? O que será que me foge o controle que me explica que de amor só se fala em voz baixa e a meia-luz, o que será que não tem nome mas eu grito chamando pra vir me buscar?

Eu ou tu, o personagem sempre se perde no final - que não existe-, quando deveria se encontrar. Não sentisse o aroma adocicado do melão apodrecendo na mesa, me puxando pra saborear um presente ultrapassado e não-inédito, poderia dizer que vivo a vida vizinha, bandida, clandestina, de não saber qual será a minha nova versão.

sábado, abril 18, 2009

Allegro moderato

Um surto de consciência.

Oxigênio. Sugar, com os olhos também, a vivacidade que se esconde na poeira, além das paredes que se estreitam. Precisa quebrá-las pra enxergar.
Agora entendi finalmente o uso

das paredes de vidro.

quinta-feira, março 26, 2009

Sobre como seus olhos ficam lindos ao sol

As covinhas no rosto me trazem de volta à realidade.
Não há lugar seguro nem passado confortável: desfazer-me da idéia é então mais difícil que tocar o resto adiante.
Quando me disseram pra não bancar deus, achei engraçado. Hoje, acho triste.

às vezes, para andar pra frente, é preciso dar um passo atrás.
Então, se é pra voltar, eu te pergunto: para que mentir?
Eu me enganei e agora só quero cantar uma música boba com fundo verídico.


mas quando eu saio eu sei que você chora,
abre os braços, vem e me
namora.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Náufrago

Sempre tive um medo desgraçado de casas sem campainha.

A possibilidade de esperar por horas até que da janela ela me visse era, no mínimo, nauseante. Não tinha pressa, mas a ansiedade me consumia. Consumia tanto que em dez minutos tive a audácia de traçar minha história com ela, passando pelos detalhes mais remotos, como uma noite em que ela caía da escada da nossa casa e eu a socorria com o avental da cozinha e deixava o arroz grudar na panela. Depois pedíamos comida chinesa, porque nossa despensa era sempre pobre, mas ela nem se importou, e então ela apareceu na janela e sorriu angustiada. Ela me matava quando sorria dessa forma. Abriu a porta de casa, percorreu o jardim, pegou o gato cinza e gordo pelo caminho (eu sabia que era só pra não vir me olhando nos olhos), encostou no portão eletrônico e lá ficou. Perguntou o que dessa vez me movia pra zona Sul, qual desculpa eu daria dessa vez. Disse que tinha uma entrevista de emprego, semana passada tinha sido só o teste psicológico. Como me saíra? Bem, bem, eu sempre digo que me saio bem, quem sabe assim ela percebe que eu sou um cara legal e para de me tratar como se eu fosse um mendigo pedindo bolachinha na saída do mercado. Eu não estou mendigando companhia, Isabel, eu só gosto da essência de nós dois. De você mesmo e o que você acredita que nós temos, ela disse.

-É, Isabel, disso que você ajudou a construir, porque mês passado mesmo você me disse que ainda faltavam novecentos e noventa e nove anos pra alguém me separar de você.

-Você não sabe reconsiderar, acha que tudo que a gente diz é eterno. Você parece bobo, sonhando alto e querendo ficar com os pés no chão. Meu pai me disse que você é daquele tipo que morre de medo de altura e compra um apartamento na cobertura, só pra mostrar que superou e que aquilo passou. Eu também acho. Você tem mais medos que desejos e joga seu coração no chão pra eu ter o deleite de pisar. E sabe o que isso significa?

E por que diabos eu prestava atenção? Porque eu acho lindo, lindo alguém sofrer por amor. Não, Isabel, o que significa?

-Significa que eu vou pisar, sim, até você não ter mais sangue pra respingar em mim. Aí estaremos livres um do outro.

Que retardada. Não entende que a liberdade mais canta que fala e que o amor mais chora que ladra.

Isabel é mais homem que eu. Quem dera fosse ao menos travesti.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

História para um sentimento oxidado.

A porta está aberta e de qualquer jeito dá pra entrar por ela, numa teoria muito simples elaborada em sete segundos e meio: Estica a mão, pega a maçaneta, gira o pulso aproximadamente 90º para fora e puxa-a como se quisesse trazer a porta para si. Pronto, primeira etapa. Depois, avista o interior, se borra de medo, inclina o corpo a 70º com a linha do horizonte e, com um pouco de coragem e vontade física, adentra o recinto com ar confiante, porém distante, para nunca transmitir a sensação de que se dá muita importância a um ato tão corriqueiro quanto, pasme, abrir uma porta e entrar.

E, então, estamos em casa outra vez.

sábado, janeiro 24, 2009

Memórias do Sub Consciente afetivo não descoberto por Freud parte I

Porque a gente bebe pra esquecer que a segunda-feira sempre vai chegar, e a vida inteira a gente engana o tempo pra fingir que ainda tem vinte, que os sonhos vão se realizar e que alguém, apesar de tudo, ainda acredita no que a gente diz.
Sorri, sim, com os lábios marotos e sorri também com os olhos esmeralda, e aproveita os minutos em que o álcool fala mais alto que a consciência. E dança, dança a música que parece ter sido feita pra hoje, e esquece que é o DJ quem está rindo da sua sexy desenvoltura.
NADA, além do amor, justifica uma existência. É por isso que a queda é sempre dolorosa: porque nos tira a razão. E, depois disso, qualquer voz é sedosa quando a alma é carente, o sentimento, gritante; e o choro, iminente.
Nem a vodka nem a perda, com todos seus esforços históricos, são capazes de tirar de um homem o que ele mais teme: a sua quintessência.
Quando se busca prazer se busca também dor. Acredito que seja por isso que carreguemos, durante a vida toda, nossas próprias granadas.

Repito erros diferentes só para parecer que não sou burra. Assim como você.

Dos ônibus e da vida adiada (vadiada)

Você me perde e eu perco você.



da janela do ônibus a vida é engraçada, tão bela assistida que só despida fica normal.